Dr. Felix Zyngier é Diretor Médico do Instituto de Medicina e Cidadania (IMC) e há 17 anos trabalha como médico voluntário na comunidade do Morro Azul, no Flamengo, Rio de Janeiro (RJ). Recentemente, começou a atender também na comunidade Tavares Bastos, no Catete.

Sua especialidade é clínica médica e desde que começou o trabalho junto com o Instituto de Medicina e Cidadania (IMC) já foram mais de dois mil atendimentos de 2017 até hoje.
Seu lema é: Só quem faz o trabalho voluntário, sabe o prazer que dá”.

Por que fazer trabalho voluntário?

Resposta: Hoje em dia, a noção que eu tenho de trabalho voluntário é que a coisa certa a ser feita. Não tem nenhum país, por mais rico que seja, que tenha dispensado o trabalho voluntário. Na América do Norte e em países da Europa, o trabalho voluntário e filantrópico são estimulados. E essa filosofia é cultivada desde as escolas primárias que ensinam as crianças a partilhar, a ajudar, a estender a mão. Isso seria a justificativa moral do trabalho voluntário.

Qual a importância desse trabalho para a sociedade?

Resposta: O governo não dá conta de resolver todos os problemas, no tocante a saúde pública. E muitos países bem mais estruturados têm muito trabalho voluntário. O Canadá, por exemplo, que eu conheço bem, estimula o trabalho voluntário em todas as atividades humanas, tanto para estimular o empreendedorismo, quanto para auxiliar a atividade médica. Enfim, há necessidade do trabalho voluntário em todas as esferas.

O Sr. Se sente à vontade trabalhando na comunidade?

Resposta:  Eu me sinto muito à vontade. É uma sensação muito agradável. Você se sente melhor como pessoa. É uma coisa muito boa. É um processo que rejuvenesce. Eu digo isso, sobretudo, aos meus colegas médicos que estão na terceira idade para eles fazerem um trabalho voluntário. Isso não vai tomar muito tempo, não vai ser um dispêndio de energia. E isso dá um dividendo de bem-estar pessoal, uma satisfação íntima muito grande.

Por que o Sr. Acha que há tanta relutância no trabalho voluntariado?

Resposta:  Nós não temos uma cultura de voluntariado e alguns acham que fazer um trabalho na comunidade é considerado uma atividade menor. Até eu quando ia falar sobre esse meu trabalho para as pessoas, eu ficava constrangido e as pessoas também.  Com o passar do tempo, isso foi assimilado. Então, isso que aconteceu comigo pode acontecer com qualquer um. Por isso eu digo: só quem faz é que sente a satisfação que recebe em troca.

Quais são os casos de doença mais comuns que o Sr. Atende na comunidade?

Resposta: São os casos que também comuns em postos de saúde: hipertensão arterial, diabetes, condições dermatológicas variadas, problemas respiratórios, problemas reumáticos.

Como o Sr. Vê o trabalho que é realizado pelo IMC?

Resposta: O IMC para mim foi muito bom. Quando o IMC foi criado, eu estava trabalhando isoladamente no Morro Azul. Então, com o IMC conseguimos nos reestruturar de uma forma que temos hoje muitos médicos que colaboram conosco em seus consultórios, concedendo horários gratuitos para atender as pessoas que nós encaminhamos. Isso complementa e melhora muito a qualidade do trabalho que é desenvolvido dentro da comunidade. O fato de eu poder contar com oftalmologista, ginecologista, dermatologista, melhora o atendimento. Os moradores da comunidade são muito agradecidos, pois eles apreciam o valor desse trabalho e o valorizam imensamente. Tudo o que eles querem é a manutenção e expansão de um serviço desse. A gente completa o trabalho que é feito no serviço público.

O Sr. Pode dar uma mensagem para os colegas médicos para se juntarem ao trabalho voluntário do IMC?

Resposta: Colegas médicos, apresentem-se como voluntários. Nós estamos precisando muito de vocês. Não dá muito trabalho e dá muita satisfação.

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